sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Notícias de O Público

Será possível chorar e rir ao mesmo tempo? Eu acho que sim...é esse antagonismo de sentimentos que África me transmite e foi também assim que fiquei ao ler aquilo que vos transcrevo do jornal "O Público" para quem quiser ler .... Indignado com o facto da pior guerra do nosso planeta desde que eu sou gente não ter mediatismo significativo e como tal a resolução desta não está para breve, vejo estas notícias sucessivas com alguma alegria, apesar de saber que poucos a leram e os que lêem provavelmente terão o reflexo defensivo de pensar "...estas coisas que acontecem sabe-se lá onde...." Mas eu estive lá.....e para mim não são números.... e a distância que protege a maioria dos que me lêem....não protege quem viu, ouviu e sentiu tudo isto sem filtros ou barreiras.....

Não temos que chorar e sentirmo-nos mal quando lemos isto, temos que encarar com um sorriso na cara e força na alma.... para lutar que os direitos básicos sejam garantidos a todos os seres humanos do nosso querido planeta.




Uma equipa das Nações Unidas que estuda os direitos humanos confirmou que elementos de dois grupos armados violaram no fim de Julho mais de 150 mulheres e crianças num ataque a uma aldeia da província do Kivu Norte, no Leste da República Democrática do Congo (RDC).


“As vítimas do ataque verificado na aldeia de Bunangiri estão a receber tratamento médico e apoio psico-social”, disse em Nova Iorque um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Os atacantes pertencem às Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR) e à milícia local dos Mai-Mai-Cheka.


As FDLR são um grupo de hutus refugiados no Leste da RDC desde que em 1994 participaram no genocídio de cerca de 800.000 no vizinho Ruanda. Têm como chefe militar o general Sylvestre Mudacu, que chegou a ser comandante adjunto da Guarda Presidencial ruandesa, antes da chegada ao poder do tutsi Paul Kagamé, que há poucos dias foi reeleito Presidente do país.


Os hutus são o estrato social maioritário da sociedade do Ruanda e dedicam-se essencialmente ao cultivo da terra, enquanto os tutsis são criadores de gado e costumam ocupar os cargos administrativos e militares.


Segundo o Fundo das Nações Unidas para a População, que promove o direito de todas as mulheres, homens e crianças terem uma vida saudável, com oportunidades idênticas, mais de 8000 mulheres foram violadas no ano passado por diferentes facções em conflito nas províncias congolesas do Kivu Norte e Kivu Sul.


( E foi aqui no Kivu Norte onde eu estive a 87 Km (6 a 12 horas de 4x4) para Oeste de Goma)

Muitas vezes, as mulheres são violadas tanto por rebeldes como por soldados do próprio exército nacional, quando saem das suas aldeias ou acampamentos para arranjar lenha, água e outros bens essenciais. Alguns grupos humanitários já chegaram a classificar o Kivu Norte, uma região com uma população avaliada em 5,7 milhões de habitantes, como a zona mais perigosa da Terra para mulheres e crianças.




O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, enviou para a República Democrática do Congo (RDC) o seu adjunto para as operações de manutenção da paz, Atul Khare, a fim de investigar as notícias de violações em massa ocorridas no fim de Julho no Leste daquele país africano.


Grupos humanitários disseram que perto de 200 mulheres foram violadas durante uma operação que elementos rebeldes efectuaram durante quatro dias na província do Kivu Norte, a alguns quilómetros de um quartel da força da ONU estacionada na conturbada região.


Um dos grupos disse mesmo que muitas das mulheres foram sucessivamente violadas por conjuntos de dois a seis homens armados, pertencentes às Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR) e à milícia local dos Mai-Mai.


De acordo com uma equipa das Nações Unidas que se debruçou sobre o assunto, pelo menos 154 civis foram violados e maltratados aquando da ocupação de Luvungi e outras 12 aldeias distribuídas ao longo de um troço de 21 quilómetros, de 30 de Julho a 3 de Agosto. (EM 4 DIAS!!!!!)


Indignado com o que lhe comunicaram, Ban decidiu enviar de imediato para o terreno o indiano Atul Khare, antigo representante especial das Nações Unidas em Timor-Leste, de Dezembro de 2006 a Dezembro de 2009.


Para além disso, o secretário-geral deu instruções à sueca Margot Elisabeth Wallström, sua representante especial para os casos de violência sexual durante os conflitos, para que se encarregue da resposta a dar pelas Nações Unidas a este caso do Kivu Norte, normalmente considerado a zona mais perigosa da Terra para mulheres e crianças.


Wallstrom, que já foi comissária europeia das Relações Institucionais, e vice-presidente de Durão Barroso, disse que “este terrível incidente” confirma as suas impressões de uma recente visita à RDC, quanto à “natureza generalizada e sistemática das violações dos direitos humanos”.


Ban Ki-moon fez da protecção aos civis e do combate à violência sexual, particularmente no país em dada altura chamado Zaire, temas centrais do seu mandato à frente da ONU, iniciado em 1 de Janeiro de 2007.






Chacina de dezenas de milhares de hutus


ONU: crimes na República Democrática do Congo poderão ser considerados genocídio


27.08.2010 - 11:25 Por Jorge Heitor


Um relatório das Nações Unidas afirma que crimes cometidos na República Democrática do Congo (RDC) pelo Exército do Ruanda e pelos seus aliados poderão ser considerados um genocídio.

O relatório, já visto pela BBC e por alguns outros órgãos de informação, pormenoriza a investigação que tem vindo a ser feita ao conflito que decorreu na RDC de 1993 a 2003, dizendo que dezenas de milhares de hutus, incluindo mulheres, crianças e idosos, foram mortos pelo Exército ruandês, dominado pelos tutsis.

No entanto, o ministro ruandês da Justiça declarou não fazerem qualquer sentido estas afirmações de que o actual Exército do seu país procedeu à chacina sistemática de sobreviventes depois de haver ocupado acampamentos de refugiados hutus em território congolês, na região dos Grandes Lagos.

O relatório da ONU também refere violações dos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança de todos os países que participaram naquela que tem vindo a ser chamada a “guerra mundial africana”, que oficialmente terminou em Julho de 2003, quando tomou posse o Governo de Transição da RDC.

Mais de cinco milhões de mortos

Foi a maior guerra da moderna história africana e envolveu oito países, bem como duas dezenas e meia de grupos armados, milícias de diferentes quadrantes. Em 2008, o conflito e as suas sequelas já tinham feito 5,4 milhões de mortos, na sua maior parte devido a doenças e à fome. Foi o pior de todos os conflitos havidos na Terra desde a II Guerra Mundial, mas nunca chegou a ter uma grande repercussão internacional.

Se bem que oficialmente tenha acabado há sete anos, o Leste da RDC, nas proximidades da fronteira com o Ruanda, continua muito volátil, com frequentes ataques a populações civis e violações em massa, como ainda esta semana foi noticiado.

O relatório final do alto-comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, já referido nas últimas 24 horas pelo jornal Le Monde e pela BBC, deverá ser formalmente publicado num dos próximos dias.

Reunião de emergência

Ontem, o Conselho de Segurança das Nações Unidas efectuou uma sessão de emergência para debater as alegações de que rebeldes hutus ruandeses se encontravam entre os elementos armados que no fim de Julho e início de Agosto violaram pelo menos 150 mulheres e crianças na localidade de Luvungi e em aldeias vizinhas, na província do Kivu Norte.

Quase em simultâneo com este último episódio, duas dezenas de peritos da ONU em direitos humanos documentavam, em centenas de páginas, aquilo que disseram ser ataques sistemáticos cometidos num passado recente pelo Exército do Ruanda e pela Aliança das Forças Democráticas para a Libertação do Congo-Zaire (AFDL).

Kagamé e Kabila

O actual Exército ruandês tem como figura emblemática o general Paul Kagamé, que tomou posse em 24 de Março de 2000, depois de ter dirigido a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), cuja vitória sobre o Governo anterior, em Julho de 1994, acabou com o genocídio de cerca de 800 mil pessoas, cometido por extremistas hutus. E a AFDL era dirigida por Laurent-Désiré Kabila, pai do actual Presidente congolês, Joseph Kabila. Foi em 1997 que a AFDL, apoiada pelo Ruanda, assumiu o poder em Kinshasa, depois de ter derrotado o Presidente Mobutu Sese Seko.

A ser verdade o que dizem agora peritos das Nações Unidas, soldados tutsis ruandeses que derrotaram forças genocidas hutus teriam depois tido o mesmo tipo de comportamento, ao perseguirem os seus compatriotas que se refugiaram no território da RDC.

O tecido social ruandês, tal como aliás o do vizinho Burundi, é constituído por uma maioria hutu, tradicionalmente camponesa, e por uma minoria tutsi, mais dedicada à criação de gado, às tarefas administrativas e à carreira das armas. Hutus e tutsis não são etnias, mas sim estratos ou camadas sociais.



1 comentário:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 85 8613.1197
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://revistasosdireitoshumanos.blogspot.com

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