quarta-feira, 21 de maio de 2014

Escrita Criativa - 1)



Parado no trânsito, nem para a frente, nem para trás, no horizonte, apenas as piores das heranças da humanização, carros, asfalto, fumos e betão. Nada para fazer, nada para ver, e nenhum sítio para onde ir. ERRADO! Está na mente a melhor das viagens.
Posso ver tudo, fazer tudo e ir para onde me apetecer. Liberto-me do tempo e do espaço, e deixo que o meu rol de possibilidades esbarre no infinito. Vou ser feliz. Vou até àquela praia idílica de areia branca e fina, água azul turquesa, abraçada por uma falésia gigante, com golfinhos a brincar com as ondas. Não!
Vou subir o Evarest, vou tocar no céu, vou perder-me no tempo, rodeado de montanhas brancas, e vales de cortar a respiração. Vou alimentar a minha espiritualidade, enquanto passo dias a conversar com a montanha. Não!
Vou ao fundo do mar, e de olhos bem abertos, ver as cores, ver as formas, ver a vida, ver a história dos barcos naufragados, ver os corais, ver as plantas, ver os peixes. Não!
Vou voar, vou sobrevoar a Amazónia, a muralha da China, vou ver o Nilo da Etiópia ao Egipto, vou ver os glaciares no pólo Norte. Não!
Vou andar para trás, vou ver como era a vida no útero da minha mãe, voltar a sentir o que sentia quando recebia o seu sangue, o seu oxigénio, o seu calor e os seus alimentos. Não!
Vou falar com os meus avôs, pedir que me ensinem a viver, que me digam o que não fazer, que me libertem um bocadinho da sua sapiência, para que eu encontre sempre o meu caminho. Não!
Vou dar um beijinho às minhas avós, dizer-lhes que tenho muitas saudades delas, pedir-lhes desculpa por todas as asneiras que fiz, e dedicar-lhes tudo aquilo que fiz bem feito na vida. Não!
Vou mais atrás, quero ver a cara dos nossos descobridores, quando se lançavam ao mar, sem saber se iam voltar. Vou dobrar o cabo da Boa Esperança ao lado de Bartolomeu Dias, vou engolir o mundo na caravela de Fernão Magalhães. Não!
Vou viajar ao futuro, ver quando é que acabaram todas as guerras do nosso planeta e aprender como é que as pessoas conseguiram viver na tolerância, e vou, na volta, trazer comigo essa mensagem de esperança....

O momento está na nossa cabeça e a felicidade sempre nas nossas mãos. Adoro estar parado no trânsito!

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