quarta-feira, 21 de maio de 2014

Escrita Criativa - 2)





         Acordei num Sábado, ressacado e chateado com a noite anterior e com a vida em geral. Era tarde de mais para me sentir saudável, e demasiado cedo para não sair de casa... Era o momento para assumir algumas rotinas, para não perder o norte da vida. Tomo um banho e visto uma roupa qualquer.... Tenho um plano, é dizer a mim próprio que “está tudo bem” e refazer esse plano, a cada meia hora.
Não sei bem o que fiz ontem, mas hoje vou fazer melhor. Entro no café de sempre, abro o jornal, para me distrair com as letras grandes, enquanto tento acordar para a vida, ainda demasiado intoxicado para fumar um cigarro. A funcionar por puro instinto, ao passar os olhos na chave do Euromilhões, meto a mão ao bolso se trás, e alcanço o papel do dito jogo que cria excêntricos, com a ponta dos dedos da mão, que entretanto ficou cheio de tabaco e pedaços de mortalhas....
Não! Não posso acreditar! Arrebento por dentro, mas não me desfaço. Aguento a cara séria enquanto sinto a energia do meu corpo a multiplicar-se de uma forma exponencial e a transbordar por todos os poros do meu corpo. Fujo do café para refazer o meu plano. Não “está tudo bem”, está tudo inacreditável e espectacularmente bem!
Ora bem, o meu plano: comprar aquele carro que não anda, desliza ou se calhar compro três. Vou comprar aquele palácio em cima do mar, e dar festas todos os dias, cheio de amigos e aviões de mulheres de todos os países eslavos que me lembrar do nome. Comprar um jacto e mergulhar em todas as ilhas do planeta. Nunca mais vou trabalhar, nem eu, nem os meus muitos filhos que vou ter de várias mulheres.
Desaceloro as ideias, e olho para o papel. Será isto que me vai fazer feliz? Qual o valor de um carro que nos caiu nas mãos sem esforço? De que vale o dinheiro, que não representa o nosso suor? Que amores são esses comprados á medida, alimentados a dinheiro sem história?

Foi preciso estar tão perto de tudo o que achava que queria, para saber que não era aquilo. Nunca vi o meu plano de vida tão claro. Rasgo o papel, e tomo a decisão de ir à luta, com a certeza que a felicidade é o caminho e nunca o destino final.

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