terça-feira, 27 de maio de 2014

Escrita Criativa - 4)



Esta é a história do Amor.
De amor? Não! Do Amor.

Quem me contou, viu tudo o que se passou.
Foi o Não. Sim, o João Não. E o Não não mente.

O Não viu o Amor nascer, na mais pura das pobrezas, com uma beleza ingénua de quem nada tem. As ruas moldaram o carácter do jovem Amor.

O Amor tinha aquela magia, de quem ri e faz sorrir. Tinha aquele encanto hipnotizante e contagiante, de quem brilha e faz brilhar. Nem o mais dos sisudos, resistia a anunciar a sua passagem com um: “Olá Amor!”.

Já na escola, o João Não seguiu de perto o brotar do Amor.  O Não não teria estado tão perto, não fosse a sua mais-que-tudo pequena Manuela, companheira de aventuras de meninos e meninas, na mesma sala de aulas do pequeno grande Amor.

Manuela de caracóis loiros, e olhos tímidos deliciava a classe docente. O seu também doce, saber estar, fazia prometer o fim da guerra no mundo, para as delícias do meu amigo Não orgulhoso.

O Amor cresce, a Manuela também, e o amor explode.

No antagonismo, se solidifica a cumplicidade. Crescem um no outro, impregnam-se mutuamente, por todas as linhas do corpo até às impressões digitais.

Mas calma! Desenganem-se! Esta é a história do Amor, não é uma história de amor.

Manuela Não, queria mais da vida, boa cabeça, muita ambição, foram os ingredientes suficientes, para voltar costas ao amor pelo Amor, e seguir sua vida para a capital estudar Direito.

Claro! O Amor escureceu de raiva... Com uma visão da vida mais curta, mais pura, mais intensa... O Amor sem amor perdeu o norte.

Diz o Não, que o Amor já não é humano.

O Amor misturou-se com o álcool, não se poupou às drogas, tornou-se agressivo. Uma besta, um monstro! Com os olhos raiados de sangue rosnava à vida, amedrontava as ruas.

Ocorreu um crime, nas ruas de toda a gente... Apesar de ninguém ter visto, os dedos foram todos na direcção deste horrível Amor.

Enjaularam-no como um animal, antes que a fúria popular desse a sentença antes do julgamento final.

Indiferente com o destino da sua alma, arrasta o barulho das pesadas correntes para dentro dum tribunal em fúria e diz o Amor: “Não fui eu!”

Já ninguém acredita no Amor. Mas a juíza, surpreendam-se, era a filha do João.

E, Manuela Não acreditava no Amor.



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